Delírios na Madrugada

Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Eu me lembro.

Lembro do dia em que comecei mofar. Foi depois de uma chuva, daquelas bem gostosas, num dia de verão, no último dia de aula do primeiro ano do colégio.
Depois desse dia, tudo o que eu senti não fez mais sentido. Eu não fui mais a mesma. Meu coração se encharcou e eu não consegui mais tirar toda a água que nele estava. Ali ela ficou, parada, esperando que eu o contorcesse e ela pudesse se esvair, porém, eu nunca o fiz.

Depois daquela chuva e de tantos outros temporais eu nunca mais fui a mesma. Meu coração embolorou, assim como acontece com coisa velha, estragada.
Estou tentando esquecer dos temporais, mas quando um passa eu tomo outro. Tenho gosto por eles, mas de repente desisto de tudo. Quero paz, quero sossego, quero viver seca e com o coração quente.

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